Tendência petista apoia Chapa 1 nas eleições do SIMPA

A tendência petista Articulação de Esquerda anuncia seu apoio à Chapa 1 – Unidade pra Lutar, reafirmando a importância da unidade e da mobilização da categoria municipária diante do desmonte dos serviços públicos em Porto Alegre. O grupo reconhece que essa unidade só se expressa de forma concreta na Chapa 1, que reúne diferentes trajetórias de luta, defende a reconstrução da força sindical e apresenta as melhores condições para enfrentar o governo Melo e fortalecer a organização dos trabalhadores e trabalhadoras do município.

Coordenação da Chapa 1

11/10/20254 min read

O governo Melo II tem aprofundado as medidas de privatização, precarização e desmonte do serviço público porto-alegrense. A entrega da cidade aos grandes empresários, sempre em prejuízo do povo, tem sido o grande objetivo da atual gestão.

DIA APÓS DIA, OS EFEITOS PERVERSOS DO DESMONTE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS SE FAZEM SENTIR:
no ônibus lotado e sem ar condicionado; na fila da Unidade de Saúde terceirizada; na escola sem professor; no ineficiente sistema anti cheias; na entrega do DMAE à iniciativa privada; no desfinanciamento da Assistência Social e na extinção da FASC; no desmonte e na privatização dos equipamentos de Cultura; no arrocho salarial; no aumento da violência no ambiente escolar; na sobrecarga de trabalho dos servidores públicos municipais; nas mudanças no currículo das escolas, com redução da carga horária das disciplinas de Artes, Filosofia, Geografia e História; na proposta de fechamento dos Anos Finais, iniciando pelos sextos anos; entre tantos outros ataques, em diversas áreas. Podemos perceber, neste contexto de ataques, que tivemos muitas perdas no último período e que a desmobilização sindical da categoria municipária dificulta o enfrentamento a estes retrocessos históricos no município de Porto Alegre.

Nenhum destes elementos, entretanto, é uma “novidade” da atual gestão. A diferença está na intensidade, na velocidade e no autoritarismo crescentes que têm marcado este primeiro ano do segundo mandato. Decisões unilaterais, atropelando os conselhos municipais e a própria legislação sobre diferentes temas, têm sido a tônica. Em parceria com a grande mídia e gozando de amplo apoio na Câmara de Vereadores, o governo tem repetido o mantra de que “ganhou as eleições, logo pode fazer o que quiser”.

É evidente que, ao ganhar as eleições, mesmo após a tragédia da enchente e da incompetência da gestão municipal, dos diversos casos de corrupção envolvendo suas Secretarias, do incêndio da Pousada Garoa, e outros tantos escândalos, o governo se sentiu confortável para acelerar a entrega da cidade.

ENTRETANTO, O FATO É QUE A MAIORIA DOS PORTO-ALEGRENSES NÃO VOTOU EM SEBASTIÃO MELO:
Somados os votos na oposição, os votos brancos e nulos com as abstenções, percebe-se que uma minoria referendou as propostas de Melo — e, mesmo entre os seus eleitores, há de se destacar que muito do que tem sido imposto pela prefeitura não foi defendido abertamente nas eleições, pois sabiam do rechaço da população a estas ideias.

Neste cenário, as municipárias e os municipários precisam desempenhar um papel de destaque na luta contra o desmonte dos serviços e a entrega da cidade ao capital. O Simpa, nossa principal ferramenta de luta, precisa organizar a categoria, mobilizar para a luta e formular um projeto alternativo ao que vem sendo imposto pela mantenedora.

A GREVE DE 2025 MOSTROU QUE OS MUNICIPÁRIOS POSSUEM DISPOSIÇÃO DE LUTA E FORTE APOIO DE SUAS COMUNIDADES. ADEMAIS, EVIDENCIOU A EXISTÊNCIA DE UM PROCESSO DE RENOVAÇÃO GERACIONAL NA BASE DA CATEGORIA.

Neste sentido, partilhamos da leitura de que, apesar dos valiosos esforços de caráter individual, a direção atual do Sindicato, enquanto coletivo, não tem estado à altura dos desafios postos pela conjuntura e está, cada vez mais, desconectada da base da categoria.

Essa desconexão e os problemas de orientação política ficam evidentes em diferentes situações, como as que seguem:

BAIXA PRESENÇA DA DIREÇÃO NOS LOCAIS DE TRABALHO, ABRINDO POUCOS ESPAÇOS DE DIÁLOGO DIRETO COM AS TRABALHADORAS E TRABALHADORES DO MUNICÍPIO;
DIFICULDADE EM OUVIR CRÍTICAS, MUITAS VEZES RECHAÇANDO PROPOSTAS COMO SE FOSSEM ATAQUES DE CARÁTER PESSOAL;
TERCEIRIZAÇÃO DA LUTA POLÍTICA PARA O JURÍDICO OU PARA OS PARLAMENTARES ALIADOS DA CATEGORIA;
INCAPACIDADE DE COLOCAR EM PRÁTICA AS DECISÕES TOMADAS EM ASSEMBLEIA, QUANDO MUITAS DAS PROPOSTAS APROVADAS SE TORNAM LETRA MORTA;
CAMPANHAS DE BAIXO IMPACTO POLÍTICO, MUITAS VEZES COM MATERIAIS QUE NÃO DIALOGAM NEM COM A POPULAÇÃO DA CIDADE NEM COM OS MUNICIPÁRIOS;
ADIAMENTO RECORRENTE DO CONGRESSO DO SIMPA;

Do nosso ponto de vista, a postura da direção decorre de uma concepção sindical que acredita que mais vale um mau acordo do que uma boa luta. O problema é que todo acordo só pode surgir de uma luta — ou será apenas capitulação.

Reconhecemos que, em muitas batalhas, provavelmente, o desfecho teria sido o mesmo, em razão da influência do governo na Câmara e da situação material dos municipários, por exemplo. Mas o saldo político poderia ter sido outro, caso não tivéssemos atuado com o “freio de mão puxado”, mas sim organizando, mobilizando e formulando por uma outra Porto Alegre possível e necessária.

Nós, militantes da tendência petista Articulação de Esquerda, acreditamos que:

A LUTA É DA CLASSE TRABALHADORA E DO POVO DE PORTO ALEGRE: É preciso dialogar com outras entidades sindicais e movimentos sociais, construir atividades unitárias e somar forças contra as medidas neoliberais e autoritárias oriundas dos diferentes governos.

É PRECISO SUPERAR O SECTARISMO: O sindicato não é o aparelho privado de um ou outro grupo.

UNIDADE DE AÇÃO: A necessária unidade da categoria municipária deve ser construída na luta, não em acordos entre lideranças. É preciso um programa mínimo que seja capaz de mobilizar os trabalhadores e pautar o governo.

FORMULAÇÃO POLÍTICA É FUNDAMENTAL: Não basta repetir chavões ou propor (re)fazer o que já foi feito no passado, precisamos urgentemente de espaços de formação sindical para termos um acúmulo coletivo acerca das pautas da categoria.

SOLIDARIEDADE COM O POVO PALESTINO: É preciso estreitar laços de solidariedade! A ideia de que isso pode custar “filiados” reproduz uma perspectiva despolitizada que cruza os braços frente a um genocídio.

Em razão do exposto acima,
DECIDIMOS PELO APOIO À CHAPA 1 - UNIDADE PRA LUTAR,
chapa que reúne municipárias e municipários com diferentes trajetórias de luta, constituindo o coletivo que reúne mais condições para dirigir nosso sindicato na atual conjuntura, enfrentar o governo Melo e construir uma nova relação entre a direção e a base da categoria.